Uso de formol em produtos para alisar cabelo é arriscado
Prática, proibida pela Anvisa, pode causar alergias, problemas respiratórios e até câncer
Fernanda Bassette
Utilizado para
conservar as características de alguns cosméticos e inofensivo em baixa
concentração em produtos específicos -como esmaltes e xampus-, o formol
tem sido usado indiscriminadamente em técnicas de alisamento de cabelos, o
que está proibido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O alerta sobre o uso de formol em técnicas de alisamento foi dado depois que 332 mulheres do Rio de Janeiro procuraram a Vigilância Sanitária da cidade para reclamar de reações causadas pela técnica de escova progressiva. As queixas se referiam a queda de cabelo, ardência nos olhos, queimaduras no couro cabeludo e problemas respiratórios.
Dois salões foram interditados e 36 foram multados. "Encontramos locais que misturavam clandestinamente queratina com formol para passar no cabelo das clientes", diz Telma Piacesi, responsável pelo Programa de Educação Sanitária para Área de Beleza, da Prefeitura do Rio.
O formol ou formaldeído é um composto líquido usado normalmente como desinfetante e anti-séptico. Também é usado para embalsamar peças de cadáveres.
Dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer) apontam que o formol é tóxico quando ingerido, inalado ou quando entra em contato com a pele. O seu potencial cancerígeno foi comprovado por quatro instituições internacionais de pesquisa.
A gerente-geral de Cosméticos da Anvisa, Josineire Melo Costa Sallum, disse que o uso de formol em alisantes de cabelo nunca foi autorizado. "Existe uma lei federal (nº 6.437/77) que autoriza o uso de formol em alguns cosméticos como esmaltes ou xampus, apenas como conservante, em concentrações baixas."
A Folha entrou em contato com dois dos principais salões de beleza de São Paulo para saber quais são os métodos de alisamento disponíveis. O salão Soho diz não fazer escova progressiva em seus clientes. "Nunca trabalhamos com o método exatamente pelos riscos à saúde. Procuramos produtos substitutos, mas eles não possuem o mesmo efeito", afirma Dai Iijima, diretor de marketing.
O cabeleireiro Jeferson
Ribeiro, do Jacques Janine, disse que o salão substituiu a escova
progressiva pela escova francesa. "O objetivo é o mesmo, mas o princípio
químico é outro. Usamos o ácido fórmico."
Josineire afirma que existem produtos registrados com a finalidade de
alisar os cabelos sem formol em sua composição. Há apenas a presença de
ácido fórmico ou outros derivados, sempre na concentração adequada,
conforme prevê a resolução 162/01.
PERGUNTAS
E RESPOSTAS
1. TODAS AS ESCOVAS PROGRESSIVAS SÃO PROIBIDAS?
Sim. Todos os métodos para alisamento que têm formol em sua composição, em
qualquer concentração, estão proibidos porque são prejudiciais à saúde.
2.COMO EU FAÇO PARA IDENTIFICAR SE O PRODUTO TEM FORMOL?
Peça para o seu cabeleireiro mostrar o frasco do produto que será usado.
Observe a composição química descrita no rótulo e a data de validade. Se o
produto não tiver rótulo, desconfie.
3.EXISTE OUTRA FORMA DE PREVENIR?
O cliente pode ficar atento ao cheiro e a possíveis emissões de fumaça
durante a aplicação do produto no cabelo.
4.CASO TENHA FORMOL NO PRODUTO, O QUE DEVO FAZER?
Procurar a Vigilância Sanitária de sua cidade e denunciar o
estabelecimento responsável.
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Fonte: Folha |
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